quinta-feira, 4 de abril de 2013

A caça às bruxas

a festa é um dos meus filmes favoritos... infelizmente, o que a festa faz de melhor, thomas vinterberg não atenua qualquer espécie de sentimento de redenção pelos personagens, transformando o espectador num parceiro do crime, um voyeur que quer que aquela família imersa em passados sombrios, perversos e compactuados seja exposta, e quanto mais se expõe, mais queremos saber, como se fossemos chamados a enfrentar os nosso próprios segredos, os mais desconfortáveis, os mais humanos também, animalescos...
em a caça, vinterberg faz menos do mesmo, embora o desconforto esteja lá, vinterberg é mais complacente, deixando o espectador tomar partido, mesmo que na realidade, haja sempre dúvida... os olhares são imensos, e há a desconfiança que passa por todos e que é de todos para todos, como um delírio conjunto...
imaginar as crianças num patamar de inocência e verdade constante pode ser uma forma terrível de abordar o comportamento dos adultos, e é esse o melhor achado do filme, o modo como uma criança se pode transformar num monstro na sua inocência ou em alguém de quem só se espera a verdade, a criança e a idosa (como uma segunda infância)... essa dualidade que percorre o filme, e que nos faz questionar e transitar nos sentimentos em relação aos personagens e as suas condutas, é por isso tudo e pela interpretação de Mads Mikkelsen que o filme vale a pena, não tão bom como a festa, mas uma boa festa de aniversário...

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