segunda-feira, 28 de novembro de 2011

o papa deprimido . habemus papam . nanni moretti



nanni moretti quis fazer um filme sobre a depressão e o abandono na 3ª idade, assim de repente os papas são sempre idosos, com tendências depressivas, aliás, ser padre e não ser depressivo só é explicável pela religião e a fé, curiosamente o realizador italiano descura completamente essa parte, em nenhum momento do filme o cardeal eleito (um formidável veterano piccoli) se vira para Deus em busca de auxílio, vira-se para as pessoas que encontra no caminho, a ideia de uma igreja voltada para os seu súbditos, aberta à mudança, ou simplesmente que Deus não existe nos paramentos e nos rituais da instituição, mas sim em cada um de nós como gestos de boa vontade, gosto dessa ideia base do filme, a depressão em pessoas de idade avançada é quase sempre assunto que não se discute, acha-se que os "velhos" não têm idade para sofrer de dores do passado, como a ausência da mãe, o isolamento, o abandono, a sensação de inutilidade... aqui moretti não pôde contornar o cliché do protesto contra o catolicismo enraizado, que continua suspenso nos seus propósitos dogmas, eu preferia que o filme embarca-se na ideia final de uma responsabilidade repartida por todos e não no abandono de alguém que percebe não ser capaz de cumprir uma missão, que vira as costas aos fiéis, virando costas a Deus???
De resto nanni moretti armado em roberto benigni com muito menos piada era completamente dispensável, o filme perde força quando se tenta "comedizar" a reunião de cardeais, e torná-lo em interlúdios de humor, uma espécie de lar de idosos parvinhos que recebem a visita do senhor que lhes vai ensinar a mexer no computador (hello???).
Um filme que faz uma crítica à igreja sem ser fundamentalista nem despropositado, mas que deixa um desconsolo, que não responde no entanto às dúvidas das pessoas, se um papa vira as costas aos fiéis, é porque a sua figura não faz sentido... e isso é completamente utópico, mesmo se pensarmos em religiões, as anarquias não resultam... excepto se todos os cardeiais fossem de facto só os velhinhos simpáticos que nanni moretti retrata, mas não, são seres-humanos e pecam muito, como aliás todos nós.

Sem comentários:

Enviar um comentário