domingo, 23 de outubro de 2011

o cerco dentro do cerco, e a caixa de pandora

vasco câmara (editor/crítico/anti-televisão sob qualquer pretexto) diz de panahi, "é um realizador cercado"... vejamos, se há um regime no país, o irão neste caso, todas as pessoas estão cercadas, tudo o que se pode inferir de um regime, é exactamente isso, um cerco, não é preciso um senhor realizador usar os seus concidadãos para o provar, excepto com condicionantes (caso contrário não é cinema, é informação de telejornal)... onde está a magia do cinema de jafar, quando o cinema é um regime chauvinista (bem retratado), anti-sexualidade (bem retratado), anti-liberdade de expressão (novamente bem retratado) mas que se fica pelos retratos (o tal cerco), e a ressaca, a função social do seu cinema??? que espécie de sintoma sórdido é este do crítico ocidental coquete (sentadinho na sua secretária a debitar analogias e assumpções abstractas, é como o olhar dos retornados transporto para a "nova vaga" iraniana) isto não é um filme???, pois não, é um iphone americano a servir mentes perversas ocidentais (de encomenda), são reportagens de guerra para telejornal das 8!!! se o senhor quer fazer alguma coisa pelo país utilizando o cinema, não é enviando filmezinhos da treta em pen's através de pastelaria (alguém acha que se o regime se importasse com jafar ele poderia de ânimo leve enviar pen's com divagações indigestas) para os críticos em cannes ou veneza apludirem de pé, é quase apludir o regime, é preciso tocar a ferida noutros pontos e ele (jafar como cineasta que é) tem esse dever porque vive dentro do tal cerco, mas ele não o faz, nunca fez, nem está interessado. sejamos honestos, alguma coisa mudou no irão com o cinema desse senhor (falo das pessoas na rua, do povo, o coração do país)??? a resposta é simples: NÃO. como espectador o que posso pensar depois de assistir ao cinema deste senhor, que são um bando de chupistas obcecados e que nós somos os hipócritas que consumimos esse olhar do senhor sobre o povo, como se a arte estivesse no sofrimento ou na imposição de uma câmara que os cerca os desconhecidos que são actores de improviso, no limite, jafar passa de libertador a impositor de um cerco com uma câmara às costas, um cerco dentro de um cerco, uma caixa de pandora à espera de ser aberta pelo ocidente, e isso nunca pode ser bom, quanto mais cinema, que é a arte da liberdade.



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