sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Rubber ou a história do cinema português

O filme Rubber é na sua génese uma parvoíce americana, no entanto e ao fim dos primeiros 20 minutos (faltam-me 50 minutos mais ou menos penosos), ocorreu-me a seguinte comparação... aparece um xerife, diz-nos uma série de chorrilhos "for no reason", todo o cinema, e no limite a nossa vida está cheia de motivos "for no reason", coisas que não têm razão de ser especial, banalidades, ora, momentos depois, um bando de pessoas munidas de binóculos observam o que parece ser uma espécie de deserto à espera que alguma coisa aconteça, um pneu emerge, como um bebé a dar os primeiros passos, e avança, sem razão aparente. E se aqueles fossem os espectadores do cinema português a olhar para certo cinema cá da pátria, à espera de um motivo, quando só lhes aparecem "no reasons", ou seja, em 20 minutos de um filme aparentemente patético, eu revi-me talvez na melhor explicação do problema do cinema português... a não razão aparente do que se mostra, a ilusão de quem o assiste, e o excessivo metaforismo das histórias e dos personagens...
O cinema "for no reason", para os que procuram uma razão e não a encontram... ou talvez a encontrem, mas não a percebam se não forem inscritos por agentes externos, nomeadamente os críticos ou "entendidos" no "no reason market".

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